domingo, 13 de outubro de 2013

Uma representação no paço de borgonha

No salão do Paço de Borgonha, em 1640. Cousa parecida com um telheiro de jogo de péla preparado e ornamentado para representações.
O salão é um quadrilongo; o espectador o vê de viés, de forma que um dos lados do salão constitui o fundo da cena o qual parte do primeiro plano, à direita, e termina no último plano, à  esquerda, fazendo ângulo com o palco falso, que se avista na parte enviesada que aí corre.
Este palco está atravancado, de ambos os lados, por bancos que se estendem ao longo dos bastidores. O pano de boca é formado por dois reposteiros que se podem afastar. Acima do manto de Arlequim, as armas do rei. Desce-se do palco para a sala por largos degraus. De cada lado destes, lugares para os violinos. Ribalta de velas.
Duas ordens de galerias laterais: a ordem superior é dividida em camarotes. Não há assentos na platéia, que é o mesmo palco verdadeiro; ao fundo desta platéia, â direita do primeiro plano, bancos formando palanque e, sob a escada que os serve e da qual só se vê o começo, uma espécie de botequim ornado de pequenos lustres, vasos com flores, copos de cristal, pratos de doces, garrafas, etc.
Ao fundo, no centro, por baixo das galerias, a entrada do teatro: larga porta que se entreabre para deixar passar os espectadores. Sobre a porta, em diversos outros lugares, por cima do botequim, etc., cartazes vermelhos com esta legenda: A Clorisa.
Ao subir o pano, o salão está em semi-obscuridade e ainda vazio. Os lustres estão descidos no meio da platéia e por acender.

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